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Mensagem do Sagrado de Jesus

Dada a Santa Margarida Maria de Alacoque

(Em Paray-le-Monial – França -  1647-1690)

 

A MENSAGEM PARA O REI DE FRANÇA

        

         Catorze anos depois da 3.ª «Grande Aparição» do Sagrado Coração de Jesus a Santa Margarida Maria de Alacoque, a Santa da Visitação recebe a incumbência de enviar ao Rei de França, então Louis XIV. Esta Mensagem é conhecida através das três cartas que ela escreveu, sobre o assunto, à Madre de Saumaise, sua antiga Superiora, então no Mosteiro de Dijon, e que tinha acesso directo ao confessor do Rei.

         As cartas datam, respectivamente, de 23 de Fevereiro de 1689, de 17 de Junho de 1689 e de 25 de Agosto de 1689. A mais importante é a de 17 de Junho, Nela lemos:

         “Ele (O Sagrado Coração de Jesus) deseja, segundo me parece, entrar com pompa na casa dos Príncipes e dos Reis, para nelas ser honrado, tanto quanto nelas foi ultrajado, desprezado e humilhado durante a Sua Paixão, e que receba tanto prazer ao ver os grandes da Terra abaixados e humilhados diante d`Ele, quanta amargura sentiu ao ver-se aniquilado a seus pés. E eis as Palavras a este respeito:

 

         «Faz saber ao filho mais velho ([1]) do Meu Coração – falando do nosso Rei – que, assim como o seu nascimento temporal foi obtido através da devoção aos méritos da Minha Santa Infância, do mesmo modo obterá o seu nascimento de graça e de gloria eterna pela Consagração que fará de si mesmo ao Meu Coração Adorável, que quer triunfar do seu e, por seu intermédio, do dos grandes da Terra.

         Ele quer reinar no seu Palácio, ser pintado nos seus estandartes e gravado nas suas armas, para as tornar vitoriosas de todos os seus inimigos, abatendo a seus pés essas cabeças orgulhosas e soberbas, para as tornar triunfantes de todos os inimigos da Santa Igreja».       

 

         Assim, pois, tal como outrora o Imperador Constantino, de Roma, que mandou pintar a Cruz de Cristo na sua Bandeira; Louis XIX era convidado a brandir um novo «Labarum», uma nova bandeira vitoriosa contra todos os inimigos da Igreja e do tono de França, por um impulso de conversão interior, de acto de desagravo, com solene consagração da sua pessoa ao Adorável Coração de Jesus, que queria triunfar do seu coração, -  note-se que este rei, era tão orgulhoso, que se considerava o “Rei Sol” – e por seu intermédio, o Sagrado Coração de Jesus queria triunfar sobre os corações orgulhosos dos grandes da Terra.

         A Devoção ao Sagrado Coração de Jesus não era estranha ao Rei Louis XIV, contemporâneo de São João Eudes e a quem tantas vezes ajudou – salvo os 5 anos em que as intrigas dos inimigos de Deus conseguiram pôr o Rei de relações cortadas com aquele grande arauto do Sagrado Coração. Por aquela altura, estavam também já suficientemente espalhadas em França as Mensagens do sagrado Coração de Jesus, transmitidas através de santa Margarida Maria desde 1673 a 1675. Contudo, é preciso não esquecer, quer a vida faustosa e desregrada que o Rei tinha levada até então, quer a má influência, junto dele, dos Jansenistas, protestantes, mações ou até mesmo católicos «prudentes» …

         A Mensagem de Jesus a Louis XIV era um óptimo convite a que ultrapassasse todas as barreiras, a começar pelas suas próprias barreiras espirituais, e a abrir-se totalmente à Graça de Deus. Poder-se-ia dizer que toda a história futura da humanidade ficou pendente da sua resposta!

         Em 25 de Agosto de 1689, Margarida Maria insiste com a Madre de Saumaise, pedindo-lhe textualmente que fizesse com o confessor do rei, o Padre de La Chaise, levasse ao monarca o Desejo do Sagrado Coração de Jesus. Esta carta contém dois novos pedidos importantes:

 

         1.º - «O Pai Eterno, querendo reparar as amarguras e angústias que o Adorável Coração do seu Filho recebeu na casa dos Príncipes da Terra, entre as humilhações e os ultrajes da Paixão, quer estabelecer o Seu Império no coração do nosso grande monarca, do qual se quer servir para a execução do Seu Desígnio, que é o fazer erigir um edifício onde esteja o quadro deste Divino Coração, para aí receber a consagração e as homenagens do Rei e da Corte.

         2.º - Além disso, este Divino Coração quer tornar-se o protector e defensor da sua sagrada pessoa contra todos os seus inimigos. Por isso o escolheu, como Seu fiel amigo, para fazer autorizar a Missa, pela Santa Sé Apostólica, e obter dela todos os outros privilégios que devem acompanhar a devoção a este Divino Coração».

 

         Em resumo, são quatro os pedidos, do Sagrado Coração de Jesus, ao rei de França:

        

         1.º - Consagração, pública e solene do Rei (e da França, com ele), ao Sagrado Coração de Jesus.

 

         2.º - O rei deveria mandar pintar o Sagrado Coração de Jesus na Bandeira Nacional francesa, e nas suas armas;

 

         3.º - O rei deveria mandar construir uma Basílica Nacional dedicada ao Sagrado Coração de Jesus: «fazer erigir um edifício onde esteja o quadro deste Divino Coração, para aí receber a consagração e as homenagens do Rei e da Corte».

 

         4.º - O rei deveria desenvolver esforços tendentes à instituição da Festa do Sagrado Coração de Jesus, em toda a cristandade da época: «para fazer autorizar a Missa, pela Santa Sé Apostólica, e obter dela todos os outros privilégios que devem acompanhar a devoção a este Divino Coração».

 

         O rei Louis XIV não respondeu a nenhum dos pedidos do Sagrado Coração de Jesus. Ele pura e simplesmente obedeceu apenas ao seu próprio orgulho, desprezando os avisos da humilde vidente, Margarida Maria, de Paray-le-Monial.

         O rei, com a sua recusa em acreditar nas revelações, que Margarida Maria lhe fazia chegar por intermédio dos padres Jesuítas, o rei pôs em perigo, não só a França, como também a Igreja…

         Quando Deus se comunica aos homens é por alguma razão. Nós não conhecemos os Seus Desígnios. As aparições de Jesus e Maria têm sempre um fundamento. Pois Eles conhecem o futuro.

         Quantas vezes os governantes das nações, se deparam com conjunturas díficeis de contornar, e nas suas decisões, mesmo tomadas com seriedade, existe sempre o perigo das consequências, dessas decisões, não serem as esperadas.

         Então Deus envia-nos a Sua Palavra de auxílio, e, segundo dizem as Sagradas Escrituras, dá a Sua Palavra aos pequeninos, para que informem “os grandes”, que se não obedecerem com coração humilde, que foi só o que faltou ao rei Louis XIV, poderão estar a precipitar as nações para uma guerra.

         O rei Louis XIV não sabia, e não podia prever o futuro. Pois, o futuro só a Deus pertence. Mas Deus Tudo Vê. E, Via, que a franco-maconaria, na sombra, secretamente, preparava já a Revolução francesa, e todos os horrores que se lhe seguiram…

 

Profecia que mais uma vês não se realizou

 

         O pedido que o Sagrado Coração de Jesus fez ao rei Louis XIV, de França, em 1689, era de certo modo, para realizar a profecia da Escrituras Sagradas que diz:

 

«Naquele dia, o rebento da casa de Jessé,

posto por estandarte ([2]) dos povos,

será procurado pelas nações

e será gloriosa a sua morada.

Naquele dia, o Senhor levantará

de novo a Sua Mão

para resgatar o resto do Seu Povo,

os sobreviventes da Assíria e do Egipto,

de Patros, da Etiópia, de Elan,

de Samaar, de Hamat e das Ilhas do mar.

Levantará o Seu estandarte entre as nações,

Para juntar os exilados de Israel,

e reunirá os dispersos de Judá

dos quatro cantos da Terra»

(Is. 11, 10-12)

 

         Mas infelizmente, e como sempre, quando Deus pede aos “grandes do Mundo”, a humildade que permita, no mundo, a Acção de Deus para salvação do Seu povo, eles (os “grandes”) são sempre demasiadamente orgulhosos para obedecerem aos chamamentos do Altíssimo.

         É por esta razão que Jesus diz:

 

“Bendigo-Te, ó Pai,

Senhor do Céu e da Terra,

por esconderes estas coisas

aos sábios e aos inteligentes

e as revelares aos pequeninos.

 

Sim, ó pai,

porque tudo isso

foi do Teu agrado…

 

Felizes os olhos

que vêm

o que estais a ver…”

(Luc 10, 21- e 23)

 

         Os chefes do mundo, na época do rei Louis XIV, assim como os de hoje, não sabem, talvez porque nunca ninguém lhes disse, ou porque são orgulhosos de mais para ouvir quem lho poderia ensinar, que aquilo que Deus lhes pede é para seu bem, e bem do povo. Um dia: «Então os chefes de Judá dirão em seus corações: «A força dos habitantes de Jerusalém reside no Senhor dos exércitos, seu Deus» (Zac 12, 5).

        


 

[1] - “O filho mais velho”: enquanto rei de França; porque a França é, ela também, designada “A filha mais velha da Igreja”, porque foi o primeiro País cujos governantes se baptizaram e declararam o cristianismo como sua Religião Oficial. Enquanto instituição politica do mundo, foi, portanto, a França o primeiro País a aderir, pelo Baptismo, à Doutrina dos Apóstolos que Cristo enviou… e sobre os quais se fundo a Igreja Católica. Dai que o Sagrado Coração de Jesus chame ao rei o “Seu filho mais velho”.[2] - É de notar, que um dos pedidos do Sagrado Coração de Jesus ao rei Louis XIV, foi justamente o de «Pintar nas suas bandeiras… e gravar nas armas», o Coração de Jesus. Que ficaria como estandarte das nações que Deus queria resgata da tirania que veio a seguir à Revolução francesa….

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